29 abril 2010

Nunca pensei querer o que me rebentava outrora. Estar sozinha é a maior prenda do mundo, nada vindo da mistura da conexão entre o ar e a massa. O meu corpo repele as tuas mãos como quem não quer a coisa, e enquanto te apercebes de que isso acontece, já estou eu com o meu veado, e mais uma vez a conseguir fugir de ti, mais uma vez. A conseguir fugir de vós, de mim, de tudo. É orgásmico conseguir ignorar tudo o que bate do meu corpo e o faz vibrar e ficar com o que não consigo impermiabilizar.
Só vos agradeço, a vós, coisas, por me fazerem sentir muito mais agora, por me fazerem ser mais conseguindo ser do mais inferior que existe. Sem vós não teria conseguido sorrir agora, porque o que tenho é tão pequeno, e eu sou tão mais feliz.
Incapacidade, é isso que preciso de sentir, incapacidade, do mundo.
E é assim que se renova a vontade, que deixamos de parte os movimentos obsoletos, que passamos a ser nós vestindo sempre as nossas capas. Nada me quebra. Tentas vencer-me? O teu palavreado só diz o quanto tu perdes. Tu tratas de tudo perder pensado assim que contróis o génio dentro de ti, pois eu te digo, eu de quem nunca pensarias ouvir um conselho tão certo. Nunca irás conseguir porque para génio albergar, espaço de génio terás que ter.

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