Os meus problemas são interiores e de carácter pessoal, são problemas que só me dizem respeito a mim. Regra geral, não sou uma pessoa com muita paciência, e canso-me bastante facilmente de ter uma rotina em que estou constantemente com a mesma pessoa, sem a poder evitar, o que não quer dizer que deixe de gostar dela ou coisa do género, simplesmente sou nervosa e isso irrita-me, assim como muitas outras coisas.
Dou o cu para salvar um amigo, dou mesmo, mas gostava de não ser assim.
Já tive vários problemas por tentar solucionar problemas que não eram meus, e também já os tive pela minha falta de auto-estima, que me levou a amizades muito pouco favoráveis.
Como pessoa extrovertida que sou, sei que a maior parte das pessoas me vê como uma palhaça com sentido de humor e me chama para lhe fazer rir (coisa que normalmente consigo fazer), mas ninguém me vê como uma pessoa com personalidade, e com opinião própria e de pensamento constante.
Hoje em dia encontro-me bem, mas não me encontro confortável.
Isto tudo para dizer que, existe, de facto, a liberdade de expressão, mas também existem condicionantes dessa mesma liberdade, de maneira em que "a minha liberdade acaba quando começa a tua". Penso que me encaixo num estériotipo de pessoas, tenho o meu grupo de amigos (que não trocava nem por nada, e não é pelo que vestem e pelo que ouvem, mas sim pelo que são, por muito que digam o contrário), e tenho uma família, na qual sou a frustrada não só por ser uma revoltada, mas também por problemas de carácter pessoal aos quais não me quero referir.
Nunca tive uma felicidade plena, porque nunca fiquei triste o suficiente para isso, ou seja, só conhecemos a felicidade quando conhecemos realmente o que é a tristeza, e não penso que a tenha conhecido.
Consigo observar em muitas das pessoas que vejo diariamente uma personalidade mais fraca do que a minha (saliento que a minha não é das mais fortes e mais distintas que conheço), isto para dizer que até criticar é preciso saber, não que eu saiba, claro, mas sei exactamente o que pensar relativamente à revolta repugnante que muitos pseudo-anarquistas de hoje em dia chapam nos seus textos (são sou estúpida ao ponto de não admitir que isso não me afecta, porque iria estar a mentir e não iria escrever isto, mas gosto da sinceridade acima de tudo). Faço notar que eu gosto da anarquia, mas também me interesso pelos outros e respeito-os (se me respeitarem a mim) tentando, em vez de os atacar e manipular, ignorar se não vão de encontro aos meus valores e se não me interessam minimamente.
Acho que ser uma pessoa de confiança é acima de tudo bastante importante, mesmo que não sejamos visto da maneira que queremos.
"Não precisamos de roupas diferentes para sermos diferentes" disse o Marcelo um dia, o que é verdade, e ele é a prova viva disso, porque esconde uma personalidade inconfundível numa veste vulgarmente vulgar. Há pessoas que gostam de vestir peças diferentes, seja de que "estilo for", mas com certeza que de alguma forma se identificam com ele.
Beatriz.
P.S.: Só hoje é que tive computador.
4 comentários:
palmas.
(L)
Nem mais ponto nem menos ponto.
Se valesse a pena até te diria para não te subvalorizares. Mas não vale. Não por ti, mas por outros, os tais outros, que nem valem a menção. Quanto ao resto, aos restos, que me chupem o penso cheio de caganeira aguada.
Sei que não te conheço, mas também acho que não te devias desvalorizar. Tudo o que disseste foi incrivelmente acertado e de uma sinceridade que não se prendeu no pc, que passou mesmo para o lado de cá. Concordo com muitas coisas que exposeste e fundamentaste, o texto está mesmo excelente!
Afinal, ainda existem humanos aí (:
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